calendarioPublicado em 21 de set de 2017 - Por Patricia Machado

Está cada vez mais comum encontrar casos de amigos e parentes que tenham intolerância ao glúten. De acordo com os órgãos de saúde, mais de dois milhões casos são diagnosticados por ano no Brasil. Mas, o que muitos não sabem é que o problema não acomete apenas os seres humanos. Cães e gatos também podem desenvolver intolerância alimentar ao glúten.

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“O animal intolerante ao glúten apresenta uma desordem crônica autoimune do intestino, reagindo contra o glúten presente em grãos como a aveia, centeio, trigo e cevada”, explica Amanda Carvalho, veterinária da Strix Clínica Veterinária Especializada.

A intolerância ao glúten, que também pode ser chamada de doença celíaca, é mais comum em gatos do que em cachorros. No entanto, o número de casos de animais com essa condição alimentar que são atendidos pelas clínicas veterinárias vem aumentando.

“Os sinais de intolerância ao glúten aparecem conforme o animal começa a ingerir grãos presentes na alimentação, tanto industrializada como a natural”, afirma a veterinária. Os principais sintomas são diarreia ou prisão de ventre, perda de peso, fraqueza, vômito, anemia e, algumas vezes, irritação na pele ou coceiras, sendo a região do pescoço e das patas as mais afetadas.

“Os animais que possuem doença celíaca apresentam deficiência na absorção, digestão e aproveitamento dos nutrientes, causando diversos sintomas, principalmente a desnutrição do animal”, alerta Amanda.

Para evitar problemas maiores, o tutor deve ler sempre o rótulo dos alimentos industrializados para identificar a presença de glúten

O diagnóstico de casos de intolerância ao glúten não é simples. O animal precisa fazer um exame de sangue para que o glúten seja testado como possível alérgeno. Além disso, é preciso realizar uma biópsia do intestino delgado para complementar o resultado.

“Existe uma grande chance do tutor não identificar alterações ou demorar para procurar o médico veterinário pois, muitas vezes, os sintomas são brandos e podem ser mais espaçados. Desta forma, o animal continua comendo alimentos contendo glúten e os sintomas acabam piorando. Os sinais de desnutrição se intensificam, piorando a saúde do animal. A recomendação é procurar o veterinário quando notar qualquer sintoma diferente”, orienta a especialista.

A única raça de cachorro que apresenta a doença precocemente, a partir de 4 meses de idade, é o Setter Irlandês, sendo transmitida hereditariamente da mãe para o filhote. As demais raças de cães e gatos podem desenvolver o problema ao longo da vida, não tendo uma idade específica.

“Os animais com intolerância ao glúten devem ter uma dieta especial, ou seja, não podem comer nada que contenha glúten, devendo ingerir apenas alimentos livres de grãos. É possível encontrar no mercado rações específicas para esta condição, que são os alimentos grain free”, explica Amanda.

Para evitar problemas maiores, é importante que o tutor sempre leia o rótulo dos alimentos industrializados para identificar a presença de grãos que possuem glúten na composição e que também siga as orientações do veterinário do seu animal de estimação.

Fotos: Getty Images

Patricia Machado

Jornalista que descobriu a sua paixão por gatos graças às aventuras vividas ao lado do adorável Alfredo Afonso, um gatinho que foi resgatado das ruas e que também era conhecido por Lucky. Hoje, é tutora da pequena Sophie, uma gatinha que muitas vezes é chamada de Sofia Maria. No futuro, sonha em ter um porco e uma cadela chamada Matilda!

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