Animais podem sofrer um AVC?

Por que a cegueira animal é tão comum?

calendarioPublicado em 26 de out de 2017 - Por Mariana Castro

Esbarrar em móveis, dificuldade de localizar os brinquedos e farejar até chegar ao tutor quando é chamado por ele: se seu cão está apresentando comportamentos como esses, talvez ele esteja com problemas de visão. A cegueira em animais, principalmente em cachorros, é algo comum e pode ocorrer com o passar da vida do animal.

No entanto, também é possível que o pet já nasça cego, devido a uma doença genética ou a má formação nos olhos. “Mas, conforme o animal envelhece, há mais riscos de doenças como catarata, glaucoma ou descolamento de retina, que podem levar a perda de visão”, alerta o veterinário do Hospital Pet Care, Eduardo Perlmann.

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Úlcera de córnea, por exemplo, é outra condição grave, que pode levar à perfuração do olho e perda irreversível da visão. No caso dos gatos, essa é a causa mais comum de cegueira, além de inflamações oculares como a uveíte. Em cães e gatos de focinho achatado é comum a perda da lubrificação ocular, que leva a uma lesão gradual da córnea. “Algumas raças de cães apresentam mais casos de cegueira por conta do alto grau de parentesco”, explica Carla Storino Bernardes, médica veterinária da Cobasi. São exemplos disso os poodles, cockers e lhasa apso.

A cegueira pode ser reversível ou irreversível. “As causadas pela catarata, por exemplo, têm um tratamento cirúrgico com excelentes resultados”, revela Eduardo. Ao mesmo tempo, o glaucoma gera um aumento da pressão do olho que pode levar à perda permanente da visão. “Por isso, é fundamental tratar a doença o quanto antes para evitar que chegue nesse estágio”, completa ele. Nesse caso, o tratamento é feito com medicações e colírios, passando para a cirurgia apenas quando a medicação não apresentar resultados.

Secreção além do normal, coceira e vermelhidão nos olhos são alguns dos sinais que o tutor deve ficar atento

Para saber o tratamento ideal em cada caso, é fundamental o acompanhamento de um especialista. O veterinário realizará exames completos nos olhos, nos quais são avaliadas alterações na pressão e na retina e testes de visão. “A cegueira é irreversível, na maioria dos casos, especialmente por causa da demora no diagnóstico”, alerta Carla. Por isso, estar em dia com o veterinário, além de manter uma alimentação de boa qualidade, são as melhores formas de prevenir essa condição.

É importante fazer check-ups, especialmente, a partir dos onze anos, que é quando aparecem os principais problemas. Os sinais aos quais o tutor precisa ficar atento são secreção além do normal, vermelhidão, opacificação ou olho meio azulado. Também é importante observar se o animal lacrimejar, piscar ou coçar muito os olhos.

Adaptando o pet à cegueira

Com a perda da visão, é natural que a qualidade de vida do pet seja reduzida. “Ele pode ficar apático ou irritadiço e até desenvolver certa agressividade em alguns casos”, explica Carla. No começo, ele terá dificuldades em se localizar em ambientes estranhos e, por isso, uma boa ideia é evitar mudanças na disposição dos móveis. O animal passa a apresentar insegurança ao se locomover, esbarrando, tropeçando e até mesmo fazendo suas necessidades em locais onde não foi adestrado.

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Felizmente, os cães têm um olfato muito potente e, por isso, conseguem se guiar através desse sentido. “Com o passar do tempo, eles se adaptam cada vez mais a essa condição”, lembra Eduardo. Enquanto isso, o especialista aconselha fazer o mesmo percurso durante os passeios. “Outras dicas são instalar lanternas de tomada para facilitar a visão noturna, colocar guizos nas coleiras dos outros animais da casa e evitar situações nas quais o animal pode se assustar”, complementa Carla.

As visitas ao veterinário devem ser frequentes para que a evolução do quadro seja acompanhada. Isso é importante para que o pet não sofra com algum desconforto ou dor proveniente da doença que gerou a cegueira.

Fotos: Getty Images

Mariana Castro

No processo de se formar em jornalismo e convencer a mãe a ter um cachorrinho, sendo o segundo muito mais desafiador. No momento, o mais próximo que tem de algo de estimação é seu cacto, a Amélia. Enquanto isso, segue escrevendo e se apaixonando por vira-latas de terceiros.

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