calendarioPublicado em 5 de set de 2017 - Por Patricia Machado

Ao receber um novo pet em casa, o objetivo do tutor é agradar ao máximo o mais novo integrante da família. O processo de adaptação é progressivo e, dependendo da idade do animal, um pouco lento. Por causa disso, é comum que muitas pessoas queiram mimar o bichinho, deixando a educação do pet de lado.

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“Em geral, um animal que não se comporta de maneira adequada acaba tendo uma qualidade de vida prejudicada. Ele pode não ter convívio social com as pessoas ou outros animais, pode acabar ficando preso em algum ambiente e pode viver com muito estresse e ansiedade”, alerta Oliver So, adestrador da Cão Cidadão.

Dessa forma, ensinar o pet sobre o que é certo e errado colabora para a boa comunicação entre o tutor e seu bichinho de estimação e influencia positivamente a qualidade de vida do animal. “Uma comunicação clara torna a convivência entre tutores e pets mais fácil, tranquila e, consequentemente, mais prazerosa para todos”, explica Oliver.

Para evitar problemas comportamentais, os animais devem ser educados assim que conhecerem o novo lar, independentemente da idade. “Muitas pessoas pensam que só se adestra pets adultos e também costumam deixar para buscar ajuda profissional somente quando o animal já está apresentando problemas comportamentais mais sérios. Prevenir é sempre melhor”, afirma o adestrador.

Um erro bastante comum na hora de educar o bichinho é observar um comportamento inadequado e querer corrigi-lo, sem pensar na causa desse comportamento. No entanto, ao entender a causa, a resolução do problema será mais fácil e simples.

“No caso dos filhotes, um erro recorrente é não fazer uma sociabilização adequada. O pet precisa ser apresentado ao máximo de estímulos que verá ao longo da vida: pessoas, animais, barulhos, objetos e lugares”, orienta Oliver. “Tudo isso deve ser apresentado de forma agradável e gradual ao animal para não correr o risco de assustar o pet, tendo o máximo de controle possível sobre a situação ou estímulo”, completa. Quando a sociabilização não é feita adequadamente, o bichinho pode crescer inseguro, medroso e com problemas de convivência com pessoas e animais, afetando a sua qualidade de vida.

Quais são os principais comandos e regras?

Os comandos ajudam a criar um repertório de ações para o pet em variadas situações. Ensinar a sentar, deitar, ir para a cama ou algum local específico, a não pegar a comida ou um determinado objeto, a ficar em um local e a soltar algo que esteja na boca do animal são comandos importantes e úteis.

Ensinar o pet sobre o que é certo e errado colabora para a boa comunicação entre o tutor e seu bichinho de estimação e influencia positivamente a qualidade de vida do animal

“Também é importante ensinar os limites para que o pet saiba lidar com frustrações e tenha autocontrole. Isso faz com que ele seja um bichinho menos ansioso e mais tranquilo”, diz o adestrador da Cão Cidadão.

Como educar o animal corretamente?

O ideal é usar um método que seja baseado no reforço positivo. Isso significa que o pet deve receber uma recompensa, como um alimento ou brinquedo, pelo bom comportamento, fazendo com que ele tenha motivação para repetir a atitude. “Os tutores jamais devem forçar o animal a fazer o que ele não se sente confortável. É importante respeitar as limitações, os eventuais medos e o tempo do pet”, esclarece Oliver.

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O comando “senta” é bastante útil e simples. De acordo com o adestrador, para ensinar o pet, você deve pegar um petisco, posicioná-lo um pouco acima da cabeça dele e levar o petisco no sentido das costas do animal, de forma que ele vá acompanhando com a cabeça. Quando ele sentar no chão, libere um pedaço pequeno do petisco para ele comer. Depois, será preciso repetir o ensinamento até que isso seja algo natural.

“Um exercício simples para exercitar o autocontrole do pet é pegar um petisco, colocar na sua mão e fechá-la sem deixar nenhum pedaço de petisco para fora. Posicione sua mão perto do focinho do animal e não abra. Provavelmente, ele ficará tentando pegar o petisco da sua mão. Quando ele desistir de tentar pegar, você libera o mesmo para ele comer. Isso vai mostrar que ele deve esperar para ganhar o que quer”, explica Oliver.

Mas, para evitar contratempos, é importante que os tutores não façam exercícios de educação animal em cachorros que sejam agressivos ou possessivos sem a ajuda de um profissional capacitado.

O tutor pode dar bronca no animal?

Algumas pessoas acabam usando força física para brigar com o animal e indicar que ele fez algo errado. Isso não é recomendado e pode comprometer a confiança do pet, prejudicando a convivência e a qualidade de vida.

“Antes de bronca, é preciso entender a causa que está gerando aquele comportamento inadequado. A bronca é capaz de fazer um comportamento diminuir de frequência, mas, se a causa não for tratada, ela poderá gerar novos comportamentos inadequados”, alerta o adestrador.

No caso dos gatos, o tutor deve ter ainda mais cuidado porque eles são mais sensíveis. Se for usada de forma inapropriada, a bronca pode até perder a eficiência ao longo do tempo.

Fotos: Getty Images

Patricia Machado

Jornalista que descobriu a sua paixão por gatos graças às aventuras vividas ao lado do adorável Alfredo Afonso, um gatinho que foi resgatado das ruas e que também era conhecido por Lucky. Hoje, é tutora da pequena Sophie, uma gatinha que muitas vezes é chamada de Sofia Maria. No futuro, sonha em ter um porco e uma cadela chamada Matilda!

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